Forever and a Day mantém “espírito” do James Bond de Ian Fleming

0

Quando 007 é encontrado morto com três tiros na Riviera Francesa, o MI6 precisa enviar um novo agente para investigar o caso. Um tal de James Bond é selecionado após cumprir uma missão e ganhar o Duplo-0. O jovem Bond então parte para o sul da França e começa a investigar o que 007 descobriu que o levou à morte, além, é claro, de encontrar o culpado.

Essa é a trama que movimenta “Forever and a Day” (sem título em português), novo livro de James Bond escrito por Anthony Horowitz, que já havia escrito o último livro, “Trigger Mortis”, outro que não foi lançado no Brasil.

Como deu para perceber, Horowitz mostra uma aventura de Bond pré-Cassino Royale, que se passa após a II Guerra. O escritor britânico nos traz uma narrativa empolgante e cheia de frescor, parecida com os melhores momentos de Fleming. Horowitz também escreveu diálogos inspirados e não se furtou a mostrar um Bond que comete erros, natural para quem assumiu um importante posto no MI6.

“Forever and a Day” é um prato cheio para os fãs. A obra nos mostra um pouco mais do dia a dia de Bond, como quando ele escolheu May para ser a governanta dele e como se sentiu ao executar um traidor de guerra em Estocolmo, o que o credenciou a ser um agente Duplo-0. Também revela porque ele optou pelo número 007, quantos agentes duplos-O têm no MI6 e como ele conheceu o dry martini “shaken, not stirred”. Esses detalhes enriquecem a franquia e animam os fãs.

Os vilões remetem aos grandes da série, com destaque para o traficante corso Scipio, um tipo odioso que é ricamente detalhado e anda sempre com um tradutor, já que ele só fala o idioma de Córsega.

O único senão de um livro pré-Cassino Royale, é que muitas coisas que aconteceram na estreia de Fleming acaba perdendo força, já que na primeira obra, Bond era desconhecido de todos. Sim, eu sei, continuidade nunca foi um forte da franquia James Bond, mas isso nos filmes, pois nos livros havia uma linha narrativa e um livro levava ao outro (exceto os livros de contos e “007 Espião e Amante”).

Mas o que importa é que “Forever and a Day” entra no hall de um dos melhores livros de James Bond. E isso não é pouco.

Nota: 9/10

Sobre o Autor

Bruno Porciuncula

Jornalista e crítico de cinema. É fã de James Bond desde que assistiu "007 Contra o Foguete da Morte" (claro que alguns anos depois de lançado hehehe). Tem tatuado "Live and Let Die" em homenagem ao filme que considera o melhor - pau a pau com "Goldfinger"

Translate »