Deborah Moore fala como foi crescer como filha de um James Bond

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Deborah Moore falou à Yours Magazine, do Reino Unido, sobre como foi ser filha de Roger Moore, um dos atores que interpretou James Bond e é querido pelo público.

“Ele normalmente nos levava para os sets de filmagem, porque ele era um homem de família. Ele não queria que nos separássemos“, revelou Deborah, que é filha de Roger com a atriz italiana Luisa Mattioli, com quem foi casado por 31 anos, até o ano 2000, e ainda teve mais dois filhos: Geoffrey Moore e Christian Moore.

Deborah, que também é atriz e teve uma pequena participação em 007- Um Novo Dia Para Morrer, relembrou que Moore fazia questão de levar um tutor nas viagens para as crianças não serem reprovadas na escola, já que os filhos – Deborah tinha 10 anos quando ele estreou como Bond – ficavam muito tempo fora das aulas por conta das gravações. “Lembro quando fomos para a Jamaica e foi emocionante”, disse.

Moore com Christina nas gravações de um filme de Bond

Moore com Christina nas gravações de um filme de Bond

Roger Moore se dedicava à família quando as câmeras eram desligadas. “O que ele mais gostava de fazer com a gente era nos levar para nadar, especialmente quando íamos para a Itália, de onde minha mãe era”, disse Deborah. “Era perto do mar, então todas as manhãs nós acordávamos juntos e saíamos para nadar. Era maravilhoso”, afirmou.

Roger Moore

Moore com Deborah, Barbara Bach e o produtor Albert R. Broccoli nas gravações de “007 – O Espião que me Amava”

Ela ressaltou que Moore, nos últimos dias de vida – ele morreu em 2017 – ainda era brincalhão. “Ele era o tipo de homem com um maravilhoso senso de humor. Mesmo quando ele estava no hospital, ele tinha um brilho nos olhos. Você podia vê-lo flertando com as enfermeiras. Tinha que dizer: ‘Pai, se comporte'”, afirmou.

UNICEF

Moore se envolveu com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) por causa de Audrey Hepburn, que era amiga do ator. “Ele foi para uma conferência da UNICEF com ela e imediatamente decidiu que queria fazer parte daquilo. Ele se importava imensamente com o que estava acontecendo no mundo e ficava muito chateado com as injustiças, particularmente com as mulheres e crianças”, contou a filha do ator.

O ator se tornou então Embaixador da Boa Vontade do UNICEF e viajou pelo mundo, inclusive veio ao Brasil, por mais de 26 anos para defender os direitos das crianças. Em 1999, ele foi eleito comandante do Império Britânico e foi nomeado cavaleiro em 2003.

Roger Moore quando esteve no Brasil pelo Unicef, ao lado de Renato Aragão e de uma criança atendida pelo fundo internacional

Em 2012, Moore arrecadou mais de US$ 1 milhão para a organização liderando um leilão com produtos utilizados nos filmes de James Bond. Nesse mesmo ano, ele recebeu o primeiro prêmio UNICEF UK Lifetime Achievement.

A filha de Moore disse que a humildade do ator foi uma lição importante na vida. “Papai me ensinou a ser sempre grato pelo que você tem. Na verdade, ele nunca diria não a quem pedisse um autógrafo. Mesmo que fosse no momento mais inconveniente, ele seria tão gentil e diria sim”, relembrou.

Livro do pai

Deborah revelou que só leu o livro de memórias do ator depois que ele faleceu, apesar dela ter escrito o prefácio da obra.

“Eu meio que sabia que ele estava escrevendo um livro antes de morrer, mas eu não li nada dele até alguns meses depois. A primeira vez que eu li na íntegra, podia ouvi-lo falando. Eu estava no trem para casa depois de visitar um amigo do papai. E enquanto eu estava lendo o último capítulo onde ele fala sobre os amigos que ele perdeu e sobre a morte, eu simplesmente não conseguia parar de chorar. É um pouco difícil de ler porque papai não achava que ele vai morrer. Todos nós pensávamos que ele ia ficar melhor, como ele tinha feito da última vez que ele estava indo mal, então foi um choque terrível quando ele faleceu”, afirmou.

Quando perguntaram a Deborah como ela achava que seu pai gostaria de ser lembrado, sua resposta foi simples: “Eu acho que ele gostaria de ser lembrado por tentar o seu melhor em tudo o que ele fez. Por tentar tornar o mundo um lugar melhor e fazer as pessoas sorrirem“.

Sobre o Autor

Bruno Porciuncula

Jornalista e crítico de cinema. É fã de James Bond desde que assistiu "007 Contra o Foguete da Morte" (claro que alguns anos depois de lançado hehehe). Tem tatuado "Live and Let Die" em homenagem ao filme que considera o melhor - pau a pau com "Goldfinger"